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Aventura em Bangladesh
(IGE-Laura Coutinho)
Quando eu e os outros quatro membros do IGE desembarcamos em Dhaka, Capital de Bangladesh, no dia 2 de fevereiro de 2009, depois de quase dois dias viajando desde Florianópolis, não poderiamos imagina o que estava por vir nos próximos 30 dias. Eu já pensava que seria uma experiência bem intensa mas nao poderia prever o quanto veria, experimentaria e aprenderia naquele mês de fevereiro. Localizado no sudoeste asiático, Bangladesh é um país novo (conquistou a independência em 1971) e bastante pobre, com muitos problema de divisão de renda, corrupção e meio ambiente. Bem mais da metade da população é analfabeta. Com mais de 800 habitantes por quilômetro quadrado, o país está entre os de maior densidade demográfica do planeta. Boa parte ainda bebe água envenenada com arsênico. Eles lutam contra dificuldades de todo ordem, incluindo desastres naturais, como as enchentes e secas, que ocorrem anualmente por lá. Todos esses dados eu já tinha. Mas o que não sabia e que nos supreendeu a todos quando chegamos lá, foi a riqueza espitirual e de valores do povo de Bangladesh. Eles são tão ou mais batalhadores que nós, brasileiros. Travam uma luta diária pela sobrevivência. Mas tamanha pobreza é compensada pelo carinho, pela alegria e pela boa fé do povo.
Nas casas onde ficamos fomos muito bem tratados. Em Dhaka, tinhamos todas as mordomias: quarto separado com banheiro e chuveiro quente (luxo por lá). Já quando íamos para cidades do interior nem sempre era assim. Mas até os banhos gelados e a dificuldade com a comida diferente e bem temperada nos fizeram mais flexíveis. No geral encaramos os problemas com bom humor.
Em Bangladesh, mais de 80% da população é muçulmana e, muito em função disso, a cultura deles é bastante diferente da nosssa. Eles são muito fervorosos e guiam a vida de acordo com os preceitos do Alcorão. Mulheres usam lenço em lugares públicos e não usam as nossas roupas ocidentais, como calça jeans, por exemplo. Éramos motivo de curiosidade por onde passávamos e nao foram poucos os pedidos de fotos com desconhecidos nas ruas. Assim como nós, ocidentais, temos curiosidade e estranheza em saber que lá quem escolhe o casamento dos filhos e filhas são os pais e que muitas casais se conhecem apenas no dia da cerimônia, eles também acham muito estranho alguns hábitos e traços da cultura ocidental. Por lá, eles sempre estranharam o foto de, por exemplo, eu ser solteira e morar sozinha aos 29 anos. Mas sempre fomos respeitados, da mesma maneira que respeitamos os códigos morais daquele país.
Mesmo que ainda com números sociais baixos, Bangladesh já tem alguns motivos para comemorar. Economicamente eles tem crescido, através dos setores de exportação de roupas e frutos do mar. Durante o programa visitamos grandes empresas que mostraram a força a empreendedorismo do povo. No lado social, projetos como o do microcrédito do Nobel Mohammed Yunus (eminência que recebeu nosso grupo e concedeu entrevista) e algumas iniciativas louváveis do Rotary local são exemplos que ajudam a dirimir a carência do povo.
Lições
Nãofoi uma viagem fácil, dessas em que se vê, visita e fotografa apenas lugares bonitos, limpos e onde nos sentimos em casa e seguros todo o tempo, como talvez ocorresse em países da Europa ou nos Estados Unidos. Mas por isso mesmo a viagem foi tão enriquecedora. A troca de informações, de cultura, a interação foi ininterrupa durante os 30 dias do programa. Carinhosos, hospitaleiros e muito curiosos, os bengalis nos receberam extremamente bem. Nas casas onde ficamos hospedados, fomos tratados como membros da família. A programação era bem intensa e começava cedo. As descobertas começavam pelo café da manhã, totalmente diferente do nosso, com legumes quentes bem apimentados e pão do estilo árabe. Viajamos o país todo, de norte a sul. Visitamos a praia mais longa do mundo, com mais de 100 quilômetros de extensão, chamada Cox’s Bazar, no sul bengali e também o maior mangue do mundo, o Sundarbans, na fronteira com a Índia.
A possibilidade de fazer um blog hospedado dentro do CLICRBS também foi maravilhosa porque pode dividir com os leitores, através dos textos e foos, um pouco do que estava vivendo lá e também porque agora tenho um registro de boa parte da aventura.
Enfim, sempre ouvi falar sobre a missão e objetivos rotarianos, mas depois dessa viagem o louvável trabalho do Rotary ficou claro para mim. Nos levar para fora da nossa realidade segura e conhecida e nos fazer enxergar o quanto o mundo é grande e o quanto as culturas divergem foi algo fantástico. Principalmente por nos fazer concluir que, independente da religião, dos costumes e dos hábitos, todo o ser humano está em busca das mesmos ideais e portante merece respeito e carinho. E encontrar em pessoas que nunca havíamos visto respeito e carinho do outro lado do mundo nos deixou mais tolerantes, flexíveis e nos fez crescer e amadurecer. As diferenças não vão acabar, pelo contrário, elas precisam ser mantidas já que são uma demonstração de cultura e identidade dos povos, mas elas não podem ser motivo para o preconceito e sim para respeito e união entre os povos . O IGE é um programa incrível que deve ser cada vez mais valorizado e reforçado.
Acredito que tenha deixado uma família em Bangladesh e minha vontade é voltar para visitá-los um dia.
Índia
Além de todas a aventura bengali, ainda pude realizar o sonho de conhecer a Índia quando o intercâmbio, terminou, no dia 1º de março. Viajar pelo país vizinho (até 1947 abrigava Bangladesh em seu território) foi outra experiência muito rica visto que a cultura, a religião, as paisagens e o povo fazem da Índia um país único e muito especial, assim como Bangladesh.
Fotos da Viagem

Eu e meus pais que me receberam em Daca, Sadeque a Asma Ali

Festa típica bengali. Grupo do IGE com chairman IGE Bangladesh Waseque Ali em Daca

Grupo do IGE na Conferência Distrital, em Daca

Comunidade em vila de Khulna

Eu e a Cristina Fogaça em Cox's Bazar, tida como a maior praia do mundo, no sul de Bangladesh

Casamento bengali
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Meninas que apresentaram danças típicas

Menino bengali em uma fábrica de tijolos em Khulna